Guia Técnico

Como identificar roscas pneumáticas: BSP, NPT, macho, fêmea, paralela e cônica

📅 Loja da Pneumática · ⏱ Leitura: ~6 minutos

Comprar uma conexão com a rosca errada é um dos erros mais comuns em automação pneumática, e pode causar vazamentos, danos ao equipamento e retrabalho caro. Neste guia você aprende a identificar o tipo de rosca correto antes de fazer o pedido, usando apenas um paquímetro/régua e um pente de rosca.

1. Rosca macho ou fêmea?

Essa é a primeira e mais simples das classificações. Basta olhar para a peça:

Rosca Macho externo

Filetes visíveis do lado de fora. Encontrado em:

  • Conexões push-in (união reta, cotovelo)
  • Niples e espigões macho
  • Adaptadores macho × fêmea
Rosca Fêmea interno

Filetes no interior do furo. Encontrado em:

  • Válvulas solenoides e de bloqueio
  • Cilindros pneumáticos
  • Filtros e reguladores de pressão

ℹ️ Na grande maioria dos equipamentos pneumáticos — válvulas, cilindros, filtros — as roscas são fêmeas, prontas para receber uma conexão macho.

2. Rosca paralela ou cônica?

Essa é a diferença que mais confunde e mais causa erro de compra. O perfil da rosca define como a vedação é feita.

Paralela G / BSPP
  • Diâmetro constante do início ao fim
  • Vedação feita por o-ring de face
  • Padrão dominante na indústria brasileira e europeia
Cônica NPT / BSPT
  • Diâmetro afunila ao longo do comprimento
  • Vedação pelo aperto progressivo + fita PTFE
  • Comum em máquinas de origem americana (NPT)
  • Para confirmar: meça com paquímetro no início e no fim — se o diâmetro variar, é cônica

⚠️ Utilizar rosca paralela em conexões que exigem rosca cônica (ou vice-versa) pode causar vazamentos, mesmo com aplicação de fita PTFE. Por isso, não é aconselhado misturar os padrões.

3. Tipos de rosca mais comuns na pneumática

Rosca G (BSP / BSPP)

A mais utilizada no mercado brasileiro de automação. Segue a norma ISO 228. É paralela, medida em polegadas, e a vedação é por um anel o-ring. Nossas conexões usam predominantemente este padrão.

Tamanhos mais vendidos: G 1/8" · G 1/4" · G 3/8" · G 1/2". Importante: o número em polegadas não é o diâmetro real da rosca — é uma denominação histórica. Sempre confira na tabela dimensional.

Rosca NPT (National Pipe Taper)

Padrão americano, norma ANSI B1.20.1. É cônica e a vedação se dá pelo aperto progressivo dos filetes, com auxílio de fita PTFE. Frequente em máquinas importadas dos EUA. Existe também o NPTF, com tolerâncias mais rígidas — dispensa selante.

Rosca Métrica (M)

Norma ISO 724, medida em milímetros. Usada em conexões menores, sensores de pressão e acessórios compactos. A mai comuns em pneumática é a M5.

 

Rosca Norma Perfil Vedação Aplicação típica
BSP

ISO 228

NBR 8133

DIN 259

Paralela O-ring Pneumática industrial — Brasil e Europa
NPT

ANSI B1.20.1

NBR 12912

Cônica PTFE Máquinas de origem americana
Métrica  ISO 724 Paralela O-ring Sensores, conexões compactas (M3–M6)

4. Como medir e identificar uma rosca passo a passo

Com um paquímetro e um pente de rosca você identifica qualquer rosca em campo. Siga esta sequência:

  • 1

    Identifique macho ou fêmea visualmente

    Filetes do lado externo = macho. Filetes do lado interno = fêmea.

  • 2

    Verifique se é cônica ou paralela

    Meça o diâmetro no início e no final da rosca com paquímetro. Se variar, é cônica. Se for constante, é paralela.

  • 3

    Meça o diâmetro

    Rosca macho: maior diâmetro (crista do filete). Rosca fêmea: menor diâmetro interno (raiz), com paquímetro interno.

  • 4

    Determine o passo com pente de rosca

    Encaixe o pente até o gabarito que "casa" perfeitamente. Em polegadas o passo é em fios por polegada (TPI); em métricas, em milímetros.

  • 5

    Confirme na tabela de identificação

    Com diâmetro + passo em mãos, cruze com a tabela para confirmar o padrão exato.

📏
Foto aqui
Pente de rosca em uso — ferramenta mais rápida para identificar o passo em campo
📏
Foto aqui
Medição com paquímetro: maior diâmetro para rosca macho e menor diâmetro para rosca fêmea
📋
Foto aqui
Tabela de identificação de roscas pneumáticas — cruzamento entre diâmetro medido e passo para determinar o padrão (G, NPT, BSPT, Métrica)

5. Combinações compatíveis e incompatíveis

Na prática, é comum conectar roscas de padrões diferentes. A combinação mais frequente no Brasil é BSPT cônica macho em rosca G paralela fêmea — funciona bem porque o ângulo da cônica assenta na borda da fêmea paralela.

📊
Foto aqui
Tabela de combinações: quais roscas podem ser conectadas entre si e quais exigem adaptador

⚠️ Nunca misture NPT com G/BSP sem adaptador. Apesar de terem o mesmo passo em alguns tamanhos, o ângulo do filete é diferente (NPT: 60°, BSP: 55°) — isso causa dano e vazamento.

6. Como vedar corretamente

Rosca Paralela (G)
  • Vedação por o-ring de face
  • Superfície de encosto deve estar limpa e plana
  • Fita PTFE é apenas segurança extra, não a vedação principal
  • Aperte até assentar o o-ring — sem excesso de torque
Rosca Cônica (NPT / BSPT)
  • Use fita PTFE ou pasta selante de rosca
  • Enrole a fita no sentido horário sobre o macho
  • 2 a 3 voltas são suficientes
  • Nossas conexões Airtac já saem com selante de fábrica
🛠️
Foto aqui
Aplicação correta de fita PTFE em rosca cônica NPT — sentido de enrolamento e número de voltas recomendado

ℹ️ As conexões da linha Airtac disponíveis em nossa loja já vêm com selante aplicado de fábrica — não precisa de fita PTFE na instalação.

Encontre a conexão certa na Loja da Pneumática

Estoque disponível para entrega em todo o Brasil. Dúvida sobre qual rosca usar? Fale com a gente pelo WhatsApp.

Ver todas as conexões →